PLG em 2026: novas regras da ANM endurecem o controle sobre o garimpo no Brasil

As mudanças na Permissão de Lavra Garimpeira em 2025–2026 endureceram regras da ANM. Entenda limites, fiscalização, RAL e impactos no garimpo.

GARIMPO LEGAL

Sergio Klein

2/1/20263 min read

A Permissão de Lavra Garimpeira (PLG) passou por mudanças significativas a partir do final de 2025, redefinindo o cenário regulatório do garimpo no Brasil. Com novas normas editadas pela Agência Nacional de Mineração (ANM), o setor entrou em 2026 sob maior rigor técnico, controle administrativo e fiscalização.

Essas alterações não representam apenas ajustes burocráticos, mas um novo marco regulatório, com impactos diretos sobre cooperativas, pequenos produtores, profissionais técnicos e toda a cadeia ligada ao garimpo.

O novo marco regulatório: Resolução ANM nº 208/2025

A Resolução ANM nº 208/2025, aplicada a partir do final de 2025, trouxe mudanças estruturais na concessão e no acompanhamento das PLGs. O objetivo central da norma é endurecer o controle, reduzir brechas regulatórias e combater práticas associadas à mineração ilegal, especialmente o chamado “esquentamento” de ouro.

Entre os pontos centrais da resolução estão a redefinição de critérios para concessão, o maior rigor na análise técnica e o reforço no acompanhamento da produção declarada.

Redução do limite de área das PLGs

Uma das mudanças mais relevantes foi a redução da área máxima permitida para cooperativas de garimpeiros, agora limitada a 1.000 hectares.

Essa medida busca:

  • dificultar a ocupação extensiva e pouco controlada de áreas;

  • reduzir o uso da PLG como instrumento para encobrir operações de maior porte;

  • facilitar a fiscalização e o monitoramento das atividades.

Na prática, áreas maiores passaram a exigir outro tipo de título minerário, com exigências técnicas e ambientais mais rigorosas.

Foco na exploração de rejeitos e estéreis

As novas regras também ampliaram o foco da ANM sobre a exploração de rejeitos e estéreis de garimpos anteriores. Embora essa atividade seja tecnicamente viável e ambientalmente relevante quando bem conduzida, ela passa a exigir maior conformidade regulatória, com atenção especial à origem do material, método de lavra e controle da produção.

Isso reforça a necessidade de diagnóstico técnico adequado, evitando enquadramentos indevidos que possam gerar passivos ambientais ou problemas legais futuros.

Prazo de adequação encerrado

Os titulares de PLG tiveram prazo para se adequar às novas regras da Resolução 208/2025, encerrado em meados de novembro de 2025. A partir de 2026, a ANM passou a tratar o cumprimento das novas exigências como obrigatório, aumentando o risco de sanções administrativas para quem permaneceu irregular.

Esse cenário reforça a importância de revisões técnicas e documentais nos títulos em vigor.

RAL 2026: reforço na obrigatoriedade

Outro ponto crítico para 2026 é o Relatório Anual de Lavra (RAL). A ANM reforçou a obrigatoriedade de sua entrega, com prazo até 16 de março de 2026 para a maioria dos títulos minerários.

A não entrega do RAL pode resultar em:

  • multas;

  • bloqueios administrativos;

  • dificuldades na regularização da produção;

  • questionamentos sobre a legalidade da lavra.

Mais do que um documento formal, o RAL passou a ser tratado como instrumento de fiscalização efetiva da produção.

Combate à ilegalidade e pressão institucional

O endurecimento regulatório também reflete a pressão institucional exercida pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que intensificou críticas à fragilidade da fiscalização sobre o garimpo nos últimos anos.

Como resposta, a ANM passou a adotar postura mais restritiva na concessão, renovação e monitoramento de PLGs, elevando o grau de exigência técnica e documental.

Garimpo e terras indígenas: conflito permanente

Paralelamente, seguem em debate no Congresso Nacional propostas relacionadas à mineração em terras indígenas. Embora não haja consenso, o tema permanece no centro dos conflitos ambientais, jurídicos e minerários, influenciando diretamente a forma como o garimpo é percebido e regulado no país.

Esse contexto amplia o risco regulatório e reforça a necessidade de atuação técnica responsável e juridicamente segura.

Em síntese: o que muda para o garimpo em 2026

O cenário da Permissão de Lavra Garimpeira em 2026 é marcado por:

  • regras mais restritivas;

  • redução de áreas;

  • maior fiscalização;

  • exigência de transparência na produção;

  • fortalecimento do controle institucional.

Nesse novo ambiente, o garimpo regular exige planejamento técnico, conformidade legal e acompanhamento especializado, sob pena de inviabilização da atividade.

Diante desse cenário mais restritivo e fiscalizado, a atuação técnica qualificada torna-se um fator decisivo para a viabilidade da Permissão de Lavra Garimpeira. A GeoAurum atua no suporte técnico à regularização minerária, na análise de enquadramento de PLGs, na elaboração e revisão de documentos técnicos e no apoio a processos administrativos e periciais, contribuindo para que a atividade garimpeira esteja alinhada às exigências da ANM, ao marco legal vigente e às boas práticas técnicas e ambientais.